Deixemos de lado as discussões técnicas para tratar apenas da questão financeira.
O sistema operacional Microsoft Windows ainda predomina nos computadores domésticos brasileiros e seus usuários se contentam com o mesmo principalmente porque a grande maioria utiliza apenas cópias ilegais.
Com uma simples pesquisa no site de compras Submarino constata-se que uma cópia do sistema Windows XP Home Edition custa R$669,00. No Submarino, com desconto de R$170,00, é possível comprá-lo pela bagatela de R$499,00! Já o Windows XP Professional, o preferido das instalações não autorizadas, custa R$999,00, ou R$799,00 com desconto. Isto é apenas pelo sistema operacional, ou seja, se o consumidor quiser ter alguma utilidade para seu computador, como editor de textos, planilha de cálculo, apresentações, e preferir o programa a que está acostumado (Microsoft Office), terá que dispender mais R$599,00, ou R$399,00 com desconto (Office Standard 2003 Edição Acadêmica Português – 3 Licenças).
Claro que é possível adquirir um microcomputador que já venha com o sistema operacional Microsoft Windows e até com o Microsoft Office, devidamente licenciados. Neste caso, obviamente, o custo da licença está incluído.
Não se deve deixar de gastar, por exemplo, mais R$79,00 pelo Norton Antivirus 2006 ou por congênere. Caso contrário, as coisas podem parar de funcionar em pouco tempo.
Segundo o mais recente relatório da ABES (Associação Brasileira das Empresas de Software) e da BSA (Business Software Alliance), o índice de pirataria do Brasil está no patamar de 55%. Já foi de 77% há oito anos. Em 2004, o mercado ilegal de programas de computador representou 64% dos negócios do setor de software (fonte).
A proteção da propriedade intelectual de programa de computador é regulada no Brasil pela Lei n. 9.609/1998, que chega a tipificar como crime (art. 12) a violação de direitos autorais de programa de computador.
Assim, quem quer fazer bom proveito do Windows e do MS Office, deve estar disposto a pagar caro. Se, ao contrário, estiver disposto a aprender a lidar com uma outra plataforma, embora melhor, e a prestigiar o trabalho de todos que colaboram com o software livre, sem precisar dispender tais quantias, pode começar, por exemplo, aqui.

Concordo com você, Dalton, que os preços são bem altos se considerarmos a nossa economia.
Mas uma coisa que me faz pensar mais sobre o assunto é a questão que foi levantada há um tempo atrás: o Linux (e softwares relacionados) são gratuitos, mas:
- pode ser fácil de usar, mas não é fácil de se configurar e de manter
- não é compatível com certos hardwares-chave para alguns grupos de usuários (posso estar enganado, mas ainda não vi suporte a scanners de mesa, ou o suporte está em fase beta)
- certos softwares específicos de certas áreas também não existem (pagemaker, coreldraw, sony vegas, etc.)
Em suma: nenhum dos dois é melhor ou pior do que o outro. Somente possui cenários específicos de utilização. Há um certo tempo, o Banco do Brasil decidiu deixar de usar o Windows em seus terminais de auto-atendimento em favor do Linux. Por outro lado, existem usuários que não podem ou não querem usar o Linux, por um motivo ou outro.
É mais sensato observar a finalidade do sistema ao invés de comparar um ao outro, lado a lado, e tentar descobrir quem é o melhor.
O mais sensato é forçar o uso de algo que paguemos menos. Eu considero um absurdo o fato da maioria dos brasileiros piratear software para usar(eu me incluo), mas o mais absurdo ainda é pagar uma fortuna por todos os softwares que precisamos, ou gostariamos de ter.
É lamentável que as pessoas não tenham a visão ampla de que quanto mais usuários o mundo linux possuir, mais softwares virão. Porque? A matemática é simples, quanto mais usuários mais fabricantes de hardware vão querer ter seu software disponível. É uma questão de dinheiro também. Existe uma coisa chamada ROI, Retorno de Investimento. É a peça chave para investir ou não em uma tecnologia. Vale ressaltar ainda que no caso da plataforma microsoft, as melhorias só vem com a expressa necessidade do usuário, ou a necessidade de criar necessidade
, mas enfim, os kras tem uma puta tecnologia nas mãos, mas soltam em doses homeopáticas porque dá mais lucro. Exemplo recente: Com a ameaça do google dominar o mundo eles começaram a soltar os sistemas interativos via web. Vem ai email, comunicador, etc… ajax na veia! Quero ver o que a microsoft vai fazer quando a Sun conseguir que o Looking Glass funcione sem muito esforço….Bom… Pô eu uso Linux , não acho ruim e acho que é viável aplicar no mercado. É isso…ahrrrg!
Denis, eu nao queria discutir os aspectos técnicos, que a propósito são contornáveis, ainda mais conforme o explicitado pelo Luiz. Apenas acho que as pessoas deveriam se esforçar mais para utilizar uma plataforma livre (mesmo que não fosse GNU/Linux) se não querem dispender tais quantias. É o preço da comodidade por sua pessoa aludida.
Concordo plenamente, d4lton. Temos que tentar usar ao máximo o software livre. “Indenpendência Tecnólogica” esta acima de qualquer micro-problema de uso.
Há outro aspecto ainda a considerar: se uma pessoa (física ou jurídica) precisa utilizar um determinado sistema por absoluta necessidade, em face da falta de software específico que rode sobre outra plataforma, e está totalmente adaptada, é óbvio que não se pode fazer crítica contra isto. Mesmo que por pura convicção. Em todo caso, não se pode olvidar a necessidade de se pagar caro por isto.
O que nosso colega Denis disse poderia ser verdadeiro há alguns anos (ele mesmo disse “a questão que foi levantada há um tempo atrás”), porém hoje isto está praticamente resolvido.
Poder-se-iam citar como exemplo os programas de CAD/CAM, cujo mais famoso expoente (AutoCAD), segundo a Wikipedia, teve sua última versão compatível com Unix lançada em 1994. Contudo, nunca lidei com isto para saber. O Luizão poderia tecer comentário com maior propriedade. Porém, encontrei um artigo da LinuxGazette que lista e comenta diversos programas de CAD para *nix, alguns comerciais. Dos softwares livres, vi algo sobre QCad, SagCAD e ainda sobre o BRL-CAD, muito avançado, desenvolvido pelo Exército dos EUA desde 1979 e que teve seu código aberto em 2004. O VariCAD, produto comercial e completo orientado primariamente para engenharia mecânica, tem versão para Linux.
Por outro lado, entre os programas de desenho vetorial, cujos exemplos mais notórios são o CorelDRAW e o Adobe Illustrator, há o Inkscape que, apesar de recente, trabalha muito bem com o formato SVG, recomendado pelo World Wide Web Consortium e também com PostScript. Vi algo também sobre um aplicativo chamado Skencil, programado em Python.
Para editoração eletrônica, há o Scribus. Nunca lidei com o mesmo, mas é muito elogiado.
O suporte a scanners, que eu saiba, foi bem resolvido (Projeto SANE – Scanner Access Now Easy). É claro que pode ser que alguns equipamentos não funcionem simplesmente por causa da política dos fabricantes, que não liberam os drivers, às vezes por terem “rabo preso” com a Microsoft: lançam os drivers apenas para a reserva de mercado do Windows. O comentário do Luizão ilustra processo análogo. Tampouco liberam seu código-fonte para que programadores independentes adaptem os drivers para *nix. É algo que ocorre com alguns “softmodems” e impressoras. A maioria, porém, funciona muito bem, obrigado.
É só dar uma olhada por aí para ver a variedade de editores de vídeo para Linux.
Mas o assunto não era “O mercado doméstico…”? Basta pedir gratuitamente uma remessa de CDs do Ubuntu (é verdade, eu recebi cinco CDs há alguns dias) e rodar o live-CD para ver se funciona bem para o usuário comum ou não. Ou ainda, é só perguntar para meu irmão, que só conhecia Windows até que dei fim neste e deixei apenas o Ubuntu Linux no computador. Ele prefere Linux agora.
Afinal, é bom ter liberdade de escolha. Notória e historicamente é algo com o que a Microsoft não sabe lidar. Seria bom se todo mundo que utilizasse o Windows o fizesse por verdadeira convicção (como parece ser o caso do Denis) ou livre escolha, não por preconceito.
Ora, se alguém é feliz do jeito que está, deve assim permanecer…
[...] 2006, jan. – Inflamado artigo sobre o mercado doméstico brasileiro de sistemas operacionais [...]