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Curiosidades sobre mapa de teclado

O layout de teclado americano é aquele que não possui a tecla “Ç”, nem a vírgula no teclado numérico. É o tipo de teclado que acompanha os computadores da maior parte do mundo. E pode ser configurado com facilidade para utilização em língua portuguesa. Nesse caso, o cê-cedilha, por exemplo, é geralmente obtido pressionando-se a tecla do apóstrofo e depois a tecla C. Para tanto, nos sistemas operacionais modernos, bastava ativar o mapa de teclado adequado, cujo nome costuma ser “US com deadkeys” (Linux) ou “Estados Unidos-internacional” (MS-Windows). Como na língua inglesa não se utiliza acentuação gráfica, esse mapa de teclado diferia do padrão americano apenas por ativar o uso das tais deadkeys (“teclas mortas”). Isto nada mais significa que o sistema ao qual todos estamos acostumados, ou seja, de se pressionar primeiro a tecla que indica qual é o acento gráfico e, em seguida, a tecla da letra na qual se deseja aplicar o acento.

Isso funciona muito bem, tanto que muitos usuários preferem o teclado americano. Contudo, na segunda metade da década de 1990, adotou-se em larga escala no país o teclado com layout estabelecido pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas). Enquanto os teclados dos PCs comuns de mesa têm vindo com layout ABNT2, os teclados dos notebooks ainda são geralmente americanos. O uso indiscriminado do layout ABNT2 parece ter feito com que grande parcela dos usuários, especialmente novatos, não saiba mais utilizar a acentuação em um teclado comum, ou seja, o americano, encontrável na maior parte do mundo e também em muitos computadores brasileiros.

O mapa de teclado necessário para o funcionamento do layout ABNT2 já é bem mais complexo: além da ativação das deadkeys, a maioria das teclas de acentuação e símbolos estão em locais diferentes. O pior mesmo é que o nosso teclado possui 104 teclas, ao contrário de quase todos do mundo que possuem 101 ou 102 teclas. É por isso que em muitos aplicativos, especialmente emuladores ou virtualizadores, às vezes não é possível utilizar, por exemplo, a tecla “/” (barra) do teclado ABNT2. Isto ocorre porque eles muitas vezes são projetados para mapear apenas 101 ou 102 teclas. Assim, as duas teclas a mais que o teclado ABNT2 possui acabam ficando sem resposta.

Obtivemos algumas dessas informações a partir de uma mensagem do desenvolvedor dos mapas de teclado do sistema operacional FreeDOS, Henrique Peron. Escrevemos para ele perguntando sobre o uso do teclado ABNT2 no FreeDOS, rodando sob o DOSemu. Sua resposta foi interessante, contendo várias curiosidades a respeito do tema. Sob autorização, publicamos a seguir os trechos mais relevantes:

[...] O grande problema do nosso teclado ABNT é que alguém teve a “feliz” idéia, lá na ABNT, de desenvolver um teclado com 104 teclas, sendo exceção no mundo. Todos os europeus e americanos usam 101 ou 102 teclas. Os africanos, oceânicos e asiáticos são na verdade o teclado americano com uma “camada de software” extra (i.e. driver mais complexo) para viabilizar o uso do mesmo de duas formas, e.g. inglês/hindi, inglês/árabe, inglês/persa, inglês/hebraico, etc. As únicas exceções são os teclados japoneses, chineses e coreanos por causa da complexidade das escritas que eles representam. Se todos os outros usam, no máximo, 102 teclas, todos os emuladores – incluindo-se o DOSEMU, o DOSBox e tantos outros – ignoram solenemente as nossas teclas de nº 103 (o ponto decimal no teclado numérico) e 104 – a nossa tecla “/”, que também representa “?” e “°”.

[...] As páginas de código apropriadas para o nosso teclado são a Cp437, 850 e 858. Enquanto a 1ª o é por uma questão de compatibilidade com hardware antigo [...], as 2 páginas seguintes são as únicas realmente apropriadas para escrever português. A única diferença entre elas é o símbolo do Euro, disponível apenas quando você usa o nosso teclado com a Cp858, onde o Euro é encontrado através da combinação “Shift” + “AltGr” + “E”.

[...] Nenhum teclado apresenta o ponto-e-vírgula no teclado numérico; pelo visto, o DOSEmu está fazendo uma confusão grande com o FreeDOS Keyb. A questão da tecla “/”, por ser a de nº 104, já foi comentada; a tecla “\” é a tecla nº 102 do nosso e de muitos outros teclados. Se o DOSEmu também não consegue lidar com essa tecla, o DOSEmu então está restrito a teclados de 101 teclas, como o americano, o que torna as coisas ainda piores – agora não só para o nosso teclado como para muitos teclados europeus.

Por enquanto, sugiro trocar o teclado. Um teclado americano, por exemplo, para escrever português. Era assim que fazíamos antes do teclado ABNT ser inventado. Com aquele teclado (e a página de código 850) , use a sintaxe “KEYB BR /ID:274″ e você terá um teclado americano pronto para escrever português. Se tiver dúvida quanto a como usá-lo dessa forma, pode me procurar de novo. Outra possibilidade é usar o teclado português (caso você consiga/tenha um), a página de código 850 (ou 860, especificamente naquele teclado) e a sintaxe “KEYB PO”. Se você precisar do símbolo do Euro em quaisquer daqueles dois teclados, basta teclar “Alt” + “E” (e usar a página de código 858).

Última palavra a respeito do nosso teclado: quando foi lançado o Windows XP (exatamente em 25/10/2001), alguém na Microsoft fumou o que não devia e resolveu inserir, na combinação “AltGr” + “C” do teclado ABNT, anos após o fim do Cruzeiro no Brasil, o “Cr” que existia nas máquinas de escrever antigas para podermos escrever “Cr$” com menos toques. Alguns teclados ABNT vêm com o “Cr” etiquetado na tecla “C” mas aquilo só funciona no XP. Enfim, etiquetado ou não, entre no bloco de notas, por exemplo (caso você esteja usando aquele sistema), e experimente teclar “AltGr” + “C”. Não bastasse a bizarrice, o “Cr” não é um símbolo com duas letras espremidas ocupando o espaço de uma como nas máquinas de escrever antigas, mas um “r” dentro de um “C”. O irônico é que o primeiro “sistema operacional” com suporte para o teclado ABNT foi o Windows 3.11, lançado em 1°/11/1993, quando o cruzeiro ainda era usado, mas justamente na época o teclado não oferecia o tal “Cr” (nem poderia, por que não havia e continua não havendo nenhuma página de código para DOS que ofereça o “Cr”).

Henrique


2 comments to Curiosidades sobre mapa de teclado

  • Utilizando Mozilla Firefox Mozilla Firefox 3.0 em Windows Windows Server 2003

    Para efeitos de lembrança, registro que o artigo foi provavelmente escrito na época em que eu lidava com o DOSEMU junto ao FreeDOS para executar o Borland Turbo C e o Borland Turbo Pascal, nas disciplinas de Linguagem e Técnicas de Programação I (2006) e Estruturas, Pesquisa e Ordenação de Dados (2007).

  • Alessandro
    Utilizando Internet Explorer Internet Explorer 8.0 em Windows Windows XP

    Prezados,

    Sera que ainda nao acharam uma solução para a acentuação do teclado ABNT2..
    Tenho um sistema feito em clipper rodando no dosemu/freedos,
    consigo fazer o ç, ~, á, à º, etc… maS não consigo colocar o acento (til ~) na letra a, para ficar assim (ã). E pior é que na tela do meu programa em vez de ficar aparecendo ATENÇÃO, fica aparecendo ATENÇ╞O.

    Alguma luz no fim do túnel???????? Please!!!!

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