Parte de um trabalho acadêmico sobre sistemas de informação gerenciais (PDF, 613KB), feito para a disciplina Tecnologia da Informação no curso de Sistemas de Informação, foi a respeito de inteligência artificial. Pesquisando a respeito do tema na bibliografia disponível, foi possível constatar que consideráveis campos da inteligência artificial, tais como linguagem natural e sistemas perceptivos, foram impulsionados por aplicações militares. A doutrina chega a comentar que “A inteligência artificial também é material dos sonhos militares, nos quais máquinas com IA combaterão em futuras guerras com considerável independência da intervenção humana” (LAUDON, K. C.; LAUDON, J. P. Sistemas de informação: com Internet. Trad. Dalton Conde de Alencar. Rio de Janeiro: LTC, 1999. p. 328).
Diante dessa assertiva, logo veio à mente o interessante episódio “Um gosto de armagedom” (A taste of armageddon), da primeira temporada da série original de Jornada nas Estrelas (Star Trek, 1967). O episódio, exibido pela primeira vez em 23 de fevereiro de 1967, ou seja, há quarenta anos, trata de situação semelhante à supracitada imaginação militar.
Nesse episódio, ambientado em 2267, a tripulação da nave estelar Enterprise chega a um planeta onde não se encontram explosões, radiação, pessoas feridas ou qualquer coisa que indicasse a ocorrência de graves danos, porém mesmo assim os dirigentes locais insistente e categoricamente afirmavam que estariam em guerra há quinhentos anos com um planeta vizinho. Descobre-se então que a guerra tinha passado a ser conduzida por computadores. As baixas eram calculadas e então pessoas de verdade deveriam se apresentar a uma estação de desintegração em até 24 horas para que suas mortes fossem devidamente registradas pelo sistema de informação.
Pelo pensamento dos dirigentes de ambos os planetas, esse sistema garantiria uma guerra limpa, sem os horrores inerentes a combates reais, preservando a civilização.
Nesse meio tempo, a própria nave estelar, em órbita do planeta, teria sido declarada destruída pelos computadores que controlariam a guerra, e então toda sua tripulação deveria se apresentar para execução. Diante dessa situação, o capitão decide destruir os computadores e fazer com que os planetas entrassem em confronto real.

Eis o discurso do Capitão Kirk (interpretado por William Shatner), ao abrir fogo contra os equipamentos, para Anan (David Opatoshu), conselheiro do planeta:
Morte, destruição, doença, horror… é sobre isso que as guerras são, Anan. Por isso são algo a ser evitado. Mas vocês a têm feito limpa e indolor – tão limpa e indolor que vocês não têm qualquer razão para pará-la, e têm feito isso por quinhentos anos. Já que parece ser a única maneira que possuo de salvar minha tripulação, minha nave… estou acabando com ela para vocês – de uma forma ou de outra.
Eu lhes devolvi os horrores da guerra. Vendekar [o outro planeta] assumirá agora que vocês violaram o tratado e estarão se preparando para empreender guerra real com armas reais. Eles vão querer fazer o mesmo… só que o próximo ataque que eles lançarão fará mais do que contar números em um computador. Eles vão destruir suas cidades, devastar seu planeta. Você, obviamente, vai querer retaliar; se eu fosse você, começaria a fazer bombas. Sim, conselheiro, vocês têm uma guerra real em suas mãos. Vocês podem tanto empreendê-la com armas reais, ou podem considerar uma alternativa – dar um basta nela! Fazer as pazes.
Segundo a Wikipedia anglófona, o episódio seria uma referência à Guerra do Vietnã, quando contagens de mortos eram diariamente reportadas na televisão norte-americana. A situação não deve ser diferente da que vivemos hoje em relação às baixas da Guerra do Iraque, da guerra civil nos morros do Rio de Janeiro, ou até da violência no trânsito local. Vemos essas estatísticas todos os dias, tantas vezes que já não nos importamos, pois temos a impressão de ser algo que não nos diz respeito. Como se fossem meros números, não vidas humanas sendo desperdiçadas.


[...] abr. – Artigo sobre inteligência artificial, uso militar, exemplo de Jornada nas Estrelas. Pena que a codificação dos caracteres está [...]
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